segunda-feira, 30 de março de 2009

A música mais triste

Eu ouvi há exatos 8 dias. Estava no meio da muvuca do Just a Fest, um festival reunindo bandas nacionais e internacionais com os ingleses do Radiohead como atração principal.

Tocaram diversas. Karma Police, Fake Plastic Trees, Paranoid Android, Videotape e até algumas cuja letra me fugia, o ritmo me estranhava. E as pessoas se debulhavam em lágrimas com a depressão e reflexão dos músicos em suas exibições.

Eu ficava fascinado mas ainda distanciado daquilo. Me sensibilizava sem me derrubar ao chão até começar aquele violão leve e despretencioso.

Si menor/Fá sustenido, Ré, Lá menor, Mi e mais algumas variações desses acordes. O público em transe.

Wake... from your sleep
The drying of your tears
Today.. we escape
We escape.

Pack and get dressed
Before your father hears us
Before.. all hell.. breaks loose.

Breathe... keep breathing
Don't lose.. your nerve.
Breathe... keep breathing
I can't do this.. alone.

Sing us a song
A song to keep us warm
There's such a chill
Such a CHILL.

You can laugh
A spineless laugh
We hope your rules and wisdom choke you
Now we are one
In everlasting peace

We hope that you choke.. that you choke
We hope that you choke.. that you choke
We hope that you choke.. that you choke

Uma música sobre o vazio dos homens, sobre o desespero de estar perdendo alguém, um dos elos perdidos para entender o CD Ok Computer. Não pude evitar algumas lágrimas, transe e a imersão que toda aquela melancolia me causava.

Não podia parar, não podia me controlar. Exit Music (For a Film) é uma lição para qualquer músico e interessado: ninguém precisa tratar de temas corriqueiros para alcançar a sensibilidade dos ouvintes. A música é triste por ser. Não há dores de amor, rancor ou vingança. Há a perda, única e intacta.

E depois de tudo... eu me senti bem. Mais leve.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Citando sua própria citação.

"O que é para você a objetividade?

É a subjetividade não aparente. É um resumo que, bem trabalhado, desperta pouco ou praticamente nenhum questionamento."

Nunca respondi tão bem uma questão. Quero dizer, nada superior e nem inferior a todas as outras pessoas. Só explica essa falta de sentido tão clara.




Mas eu tenho consciência que é EGO demais parafrasear a si mesmo.

Minha paixão por músicas em Lá menor

Dão a tônica se encerram ou começam com essa nota enigmática.
Acho que ela soa como um suspiro no ouvido, um pedido, um zumbido.
Acho que ela é o meu sopro cardíaco, o meu pedido.

Repleto de iniciativas

...podre em justificativas.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Em 2009 o diário de bordo continua

... mesmo não sendo propriamente um diário.
... mesmo sendo uma folha branca com teorias bizarras.
... mesmo sendo uma branca rolha, com ausência de falas.

Diário que não é diário. Acho que é uma espécie de resumo retardatário.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Choro

Um dia perguntaram a um ator se ele ficava aos prantos como no palco.

Ele respondeu que era de carne e osso, que acordava desanimado às vezes,
Que tinha uns revezes, como qualquer reles, que soltava fezes sem cerimônia.

Repetiram a pergunta.

Ele disse então que não costumava chorar por Julieta,
Nem por Desdêmona,
Nem por ter sido um parricida, como Édipo,
E nem parecia o protagonista da novela das oito.

Mas disse que a namorada tinha um nome maroto
Que impedia o choro, qualquer roto sentimento.

(Ou apenas assim se posicionou)

Impossível escrever

Impossível escrever, possível pensar, impossível pensar, escrever qualquer coisa, coisa se escreve como qualquer, é impossível escrever qualquer coisa, uma coisa é possível, milhares de coisas deveria ser impossível. Visível é a falta de um diário.

Risível é a falha do ator.